" Atabaque não é pra ser batido de qualquer maneira, é preciso conhecimento
para tal e além disso, atabaque não é lugar de brincadeira"

 

 

 

OGAN

Palavra de origem Bantu que significa: Chefe. Tanto na Umbanda, quanto no Candomblé, este cargo é muito respeitado.

Dentro de um terreiro de Umbanda o Ogan é tal qual como o nome significa o chefe, aquele que vêm logo após a Mãe ou Pai no santo.

Os Ogans não têm incorporação (estado de transe), e assim sendo em todas as vezes que a Mãe de santo ou o Pai de santo estiverem incorporados, os demais médiuns devem respeitá-los, tal como respeitam seu pai ou mãe no santo.

O Ogan é os olhos do zelador, é a pessoa que observa e coordenar toda a parte ritualística do terreiro, para que tudo corra bem.

 
O Ogan ele tem o poder de quebrar um trabalho negativo! Por tanto o mesmo tem que sempre estar atento pois é ele quem irá junto com o zelador para administrar os trabalhos.

Se isso não acontecer não tem harmonia e não tendo harmonia a energia cai e todos ficam a mercê de energias negativas!

 


RESPONSABILIDADE DO OGAN

Ogan antes de tudo é ser responsável e sério dentro do ritual, SEM BRINCADEIRAS ATRÁS DOS ATABAQUES, cumprindo suas obrigações como Ogan da casa, seguindo os fundamentos da casa com extrema seriedade e atenção.

Para ser um Ogan não basta saber tocar os pontos a serem cantados, é preciso saber os momentos em que os pontos devem ser puxados e também saber o fundamento da casa.

Além disso, os Ogâs devem estar sempre de roupas brancas, e com suas guias.

 

TIPOS DE OGAN

 


ALAGBÊ – O chefe dos tocadores de atabaques, os instrumentos de percussão.

 

OGAN GIBONÃ – Zelador da casa de Exu, outro ogã de suma importância, pois seus conhecimentos ajudam na firmeza da casa.

 

OGAN APONTADO – Pessoa apontada como possível candidato a Ogã. Equivalente ao Ogã suspenso.

 

OGÃ SUSPENSO – Pessoa escolhida por um Orixá para ser um Ogã, é chamado suspenso, por ter passado pela cerimônia onde é colocado em uma cadeira e suspenso pelos Ogãs da casa, significando que futuramente será confirmado e passará por todas as obrigações para ser um Ogã.

 

Há também outros Ogãs como GAIPÉ, RUNSÓ, GAITÓ, ARROW, ARRONTODÉ.

 

No Candomblé Bantu os Ogans são classificados como:

 

TATA NGANDA LUMBIDO – Ogan guardião das chaves da casa.

 

KAMBONDOS – Ogan

 

KAMBONDO KISABA ou TATA KISABA – Ogã responsável pelas folhas.

 

TATA KIVANDA – Ogan responsável pelas matanças, pelos sacrifícios animais (mesmo que AXOGUN).

 

TATA MULOJI – Ogan preparador dos encantamentos com as folhas e cabaças.

 

TATA MAVAMBU – Ogan ou filho de santo que cuida da casa de Exu (de preferência homem, pois mulher não deve cuidar porque mulher menstrua e só deve mexer depois da menopausa, quando não menstruar mais, portanto, pelo certo as zeladoras devem ter um homem para cuidar desta parte, mas que seja pessoa de alta confiança).

 

XICARANGOMA – O chefe dos tocadores de atabaques, os instrumentos de percussão

 


ATABAQUES

 

 

Pra quem não me conhece, sou aquele que faz o corpo dos médiuns tombar, sou eu o responsável pelos seus arrepios, pelos seus tremores, suas vertigens, sou eu quem chamo o dono do seu ori a terra.

Sagrado e para poucos, poucos que tem uma enorme responsabilidade, são poucos aqueles que eu denomino meus reis, que me tocam afinam e me estremecem.

Sou festivo, sou sério, sou pra reza, já vi muitos nascerem, já vi seus deuses bailarem a minha frente, já te vi pequeno abian, te vi sofrer aos meus pés, eu faço tum e seu coração faz tum-tum.

E eu te coloco a dormir, num curto toque.

Motumbá, me chamo atabaque, e sem mim a umbanda e o candomblé, não há.

 

De origem africana, o atabaque é usado em quase todos rituais afro-brasileiro, típico do Candomblé e da Umbanda e de outros estilos relacionados e influenciados pela tradição africana. De uso tradicional na música ritual e religiosa, empregados para convocar os Jinkisi.

O atabaque na Umbanda não é apenas um instrumento que ali está para ajudar o ritual, mas sim um instrumento enraizado e abençoado pelas Entidades e Orixás, quem nele tocar, não basta apenas querer e saber tocar deve ter responsabilidades.

O atabaque maior tem o nome de RUM o segundo tem o nome de RUMPI e o menor tem o nome de LE.

Os atabaques no candomblé são objetos sagrados e renovam anualmente esse Axé. São usados unicamente nas dependências do terreiro, não saem para a rua como os que são usados nos Afoxés, estes são preparados exclusivamente para esse fim.

Os atabaques são encourados com os couros dos animais que são oferecidos aos Jinkisi, independente da cerimônia que é feita para consagração dos mesmos quando são comprados, o couro que veio da loja geralmente é descartado, só depois de passar pelos rituais é que poderá ser usado no terreiro.

Existem também outros tipos de componentes que se usa junto com os atabaques, por exemplo, o agogô, chocalho

O som é o condutor do Axé do Jinkisi, é o som do couro e da madeira vibrando que trazem os Jinkisi, são sinfonias africanas sem partitura.

Os atabaques do candomblé só podem ser tocados pelo Alagbê (nação Ketu), Xicarangoma (contração de Kuxika ria N’goma ou tocadores de atabaque – nações Angola e Congo) e Huntó (nação Jeje) que é o responsável pelo RUM (o atabaque maior), e pelos ogans nos atabaques menores sob o seu comando, é o Alagbê que começa o toque
e é através do seu desempenho no RUM que o Jinkisi vai executar sua coreografia, de caça, de guerra, sempre acompanhando o floreio do Rum.

Os atabaques são chamados de Ilú na nação Ketu, e N’goma na nação Angola, mas todas as nações adotaram esses nomes Rum, Rumpi e Le para os atabaques, apesar de ser denominação Jeje.

Enfim, Os jingoma (plural de Ngoma) ou Atabaques ou Ilús, como vimos são objetos sagrados, e com a capacidade de com seus toques e vibrações, convocar o N’kisi, Vodum ou Orixá a terra.

É importante saber que os atabaques devem e merecem ser tratados com o máximo de respeito pois não se trata de um simples instrumento não podendo ser tocados jamais por pessoas não autorizadas.

Deve saber que ao colocar as mãos diante deste fundamento, deve-se ter muita seriedade e dignidade, pois, tudo que é Abençoado pelas Entidades torna-se indispensável na Umbanda e assim acontece com os atabaques.


Cantigas de Umbanda

 

Cantigas de Angola

 


 

 


TIPOS DE TOQUE


 

Adarrum ou Adahun : Toque que serve para chamar orixás

 


Opanijé : Toque para o Orixá Obaluayê

 


Alujá : Toque para o Orixá Xangô

 


Ijexá : Toque para o Orixá Oxum

 


Agueré : Toque para o Orixá Oxóssi

 


Ilu : Toque para o Orixá Oxalá

 


Bravun : Toque para o Orixá Oxumarê

 


Sató : Toque para o Orixá Nanã

 


Barravento : Toque para Orixá Oyá

 


Congo: Toque de Angola 

 


Muzenza : Toque de Angola 

 


Cabula : Toque de Angola