Nós tinhamos um profundo respeito por João de Freitas - aquele respeito que o aluno tem pelo professor (ou tinha....).Naquele época conturbada religiosamente, a figura de João de Freitas, transparecia (outros irmãos também, mas hoje estamos falando dele), por sua cultura, pela bagagem de obras escritas e coragem na defesa dos postulados umbandistas.

Muito amigo de meu saudoso Pai Henrique Landi e de Átilla Nunes Pai (lembra-se irmã Bambina?), vinha frequentemente à T.E.F.L . Expansivo, alegre, seus discursos eram eivados de poesia. Era o grande orador do grupo que organizava o 2º Congresso Brasileiro de Umbanda (...e olhem, naquela época, todos eram oradores). Colocava a voz onde pretendia (sem o uso do microfone). Na proporção em que desenvolvia a sua fala, as imagens descritas adquiram vida e a poesia emoldurava seu discurso. Era um tribuno nato de imensa cultura.

Quanto à sua obra literária, dedicada a Umbanda, para avaliar-mos a importância, eram editadas pela Livraria Freitas Bastos Editora, só posteriormente, outras editoras o fizeram também. Todo umbandista deveria ler: UMBANDA; XANGÔ D´JACUTÁ; OXUM MARÊ; OGUM MEGÊ, etc. E ninguém poderá de sã consciência, se achar conhecedor da História da Umbanda, no Rio de Janeiro principalmente, se não leu JOÃO DE FREITAS.

Seu grande sonho, como o de todos os participantes do 2º Congresso Brasileiro de Umbanda, era: A CODIFICAÇÃO DA UMBANDA !

"Landinho" (era assim que ele me chamava), dizia:

- Um dia a Umbanda será reconhecida por todos, porque não discrimina, não explora, chega junto de ZAMBI, pelo reconhecimento, pela caridade e o amor fraterno.

JOÃO, juro que perguntarei a Nair (minha querida irmã espiritual) por curiosidade - onde te encontrar ? Te imagino reencarnado, ainda na condição de um menino(a) ou de um jovem estudante e certamente " Líder e orador da turma".

No plano em que estiveres, receba o meu abraço fraterno.

Henrique landi Neto