Há duas espécies de homens quanto às mensagens que passam, a primeira que fala aos homens comuns e a segunda que fala aos espíritos.


O discurso da primeira espécie, não soma absolutamente nada, a segunda transcende, porque suas palavras são dirigidas ao espírito imortal. Estes são os seguidores da Escola do MESTRE DOS MESTRES, e cujo conteúdo está sempre presente no coração dos homens, quer tenham eles consciência disso ou não, e ÁTILLA se colocava aqui como discípulo do Grande Rabi da Galiléia.


É necessário esse esclarecimento preliminar para falarmos de ÁTILLA NUNES (PAI), a quem tivemos o prazer de conhecer pessoalmente. Em 1961, ainda jovem, acompanhava o meu saudoso pai , Henrique Landi Jr., às reuniões para a instalação da Comissão Nacional de Codificação do Culto de Umbanda, no Rio de Janeiro. Lá compareciam figuras memoráveis e que não devem ficar esquecidas dos que hoje cultuam a UMBANDA, como : ÁTILLA NUNES ; JOÃO DE FREITAS; MANOEL NOGUEIRA ARANHA; CAVALCANTI BANDEIRA; BENJAMIM FIGUEIREDO; NARCISO CAVALCANTI; MAJOR DOMINGOS; GAMALIEL DE OLIVEIRA; CÍCERO DOS SANTOS; FLAVIO DA GUINÉ; TANCREDO DA SILVA PINTO; HENRIQUE LANDI JR., e muitos outros cuja memória não registrou nomes mas que vivem em nossos corações.


Nesta época, a UMBANDA passava por uma fase difícil, pois com a divulgação do 2º Congresso, as forças políticas e religiosas contrárias armavam situações desagradáveis, como invasões dos terreiros por policiais arbitrários, artigos publicados na imprensa e pronunciamento de autoridades eclesiásticas, etc.


Em São Paulo, havia grande dificuldade na instalação das Comissões para compor o 2º Congresso, face à desarmonia existente entre as Federações, Assossiações e Terreiros.
Justamente aí surge a figura de ÁTILLA NUNES e seus companheiros, foram à São Paulo, reuniram-se com os grupos antagônicos, conseguiram a pacificação e instalaram as Comissões. A pacificação era a mais importante tarefa de ÁTILLA e seus irmão nos locais onde havia desequilíbrio. Os argumentos fluiam fáceis na sua oratória e além disso, os poetas tem uma forma diferente de colocarem as idéias. É o autor de "MALEME PARA JANAÍNA" e tantas outras páginas poéticas dedicadas à UMBANDA, sabia como fazê-lo.


O 2º Congresso de Umbanda aconteceu com grande repercussão nacional e internacional (vide à epoca a reportagem da Revista Times), graças a esses heróis que não esmorecem ante às dificuldades que surgiram. E nós que cultuamos a UMBANDA, temos o dever de honrar e não permitir que caia no esquecimento a herança religiosa que esses eméritos umbandistas nos legaram de amor e fraternidade.

Henrique Landi Neto