Naquele tempo a Fraternidade da Luz, ficava localizada em sua sede provisória na Rua Angelina, no Encantado - RJ.


Cerca de 110 médiuns, faziam parte de seu corpo mediúnico, dentre eles a Zulmira, meia idade, baixinha, muito simpática, aparelho mediúnico de Vovó Maria da Bahia.


Tinhamos 13 anos de idade, quando lá chegamos e fomos logo chamado pela preta velha. Vem cá "gafinhoto", sabe você é o "gafinhoto de véia", e por muito tempo
vamos ficar juntos, você vai ajudá véia, aqui no terreiro, atender os "fios" que vêm buscar caridade. E assim aconteceu...


Ainda ressoa em meus ouvidos, a sua fala maternal:

- Véia já pediu ao Sinhô do Bonfim, pra ir na festa do "gafinhoto", quando ele for "dotô". Aí "véia" vai toda bonita cumprimentá o "meu fio branco".


Anos após, recebia eu quando por ocasião da formatura, o abraço espiritual de Vovó Maria, ouvindo sua voz inconfundível:

-Véia tá toda prosa, o Sinhô do Bonfim deixou que eu viesse na festa do "dotô", gafinhoto de véia.


Quanta saudade ! Não sei se ainda está em nosso plano o aparelho mediúnico de Vovó Maria da Bahia, mas tenho certeza que a preta velha, lá de sua Aruanda distante, continua nos abençoando.


Deixou-nos um exemplo marcante: a humildade, estampada no amor frateno, que distribuia incondicionalmente a todos que vinha em busca de uma palavra de esperança.


Nesse plano de emoções, a saudade ainda nos incomoda muito, mas temos que a querida preta velha nos auxilia e protege nossos passos.

 

Sua benção Vovó Maria da Bahia

Henrique Landi Neto