Conheci BENJAMIN FIGUEIREDO,  em sua própria casa, a Tenda Espírita Mirim - Matriz, que na época funcionava na Rua Ceará, hoje Marechal Rondon, no Bairro de São Francisco Xavier, aqui no Rio de Janeiro. Incorporado com o seu guia o Caboclo Mirim, era o Primaz da Umbanda. Primaz, de acordo com o estatuto do Primado de Umbanda, tinha a função  de chefe do Departamento Ritualístico e Doutrinário da Organização Federativa (Fundada no Rio de Janeiro, em 05 de Outubro de 1952).


Os dados biográficos completos de Benjamin Gonçalves Figueiredo, poderão ser examinados no site da Tenda Espírita Mirim.


Benjamim e o Caboclo Mirim, ante o observador Comum, este teria grande dificuldade para identificar quando a entidade estaria incorporado em seu médium, tal a afinidade
que existia entre ambos.


Inegavelmente, Benjamim era um grande dirigente de sessões de terreiro e ainda acrescia incorporado com o Caboclo Mirim.


Quando ocorreu o fato que iremos narrar, o Primado de Umbanda, reunia no 2º domingo, do mês, todas as casas umbandistas federadas, em uma sessão conjunta e levando-se
em conta os grupamentos de médiuns (incluindo os da Tenda Mirim - matriz e suas filiais), agregavam-se cerca de 2000 pessoas em média (leve-se em conta que o salão interno - terreiro- da Tenda Mirim - Matriz, possui em vão livre, cerca de 50m de extensão por ambos os lados e 30m de largura, de frente e fundos, segundo nos informaram).


Já existia, naquela ocasião, um trabalho de preparação com vista à realização do 2º Congresso Brasileiro de Umbanda, No Rio de Janeiro, e várias casas não federadas ao Primado de Umbanda ,com o intuito de aproximação, eram convidadas para participarem das sessões conjuntas, na Tenda Mirim - Matriz.


Neste domingo, o terreiro estava repleto, o Caboclo Mirim, com seus dois assistentes (incorporados em seus médiuns), conduziam os trabalhos com a tranquilidade de sempre
e a disciplina exemplar do ritual umbandista.


O uniforme usado pelos médiuns nas sessões do Primado, era branco (como de hábito na maioria das casas umbandistas), quando de repente, adentra o terreiro, uma das organizações convidadas que era conduzida por seu dirigente o Babalorixá Filadelfo, incorporado com o seu guia o Caboclo Ubirajara, trajado com cocar e saiote em plumas vermelhas, trazendo em cada uma das mãos um maracá (os quais sacudia incessantemente) fazendo um ruído característico. O grupo visitante trazia cerca de 50 médiuns, todos trajados da mesma forma que o dirigente. O Mestre de Guaú do Primado, de nome Belarmino, acompanhado por todo pessoal de apoio da curimba e da orquestra (existia naquela época uma orquestra da Tenda Mirim, que acompanhava os pontos cantados), puxou o ponto do caboclo Ubirajara.


E na cadência de sua curimba, o Caboclo Ubirajara dançando, corria de um lado para outro do terreiro, sacudindo os maracás, atraindo a atenção dos participantes para si e seu grupo que ao mesmo tempo executava uma coreografia com fundamento nas danças de caboclos. Todos estavam embevecidos com a coreografia dos visitantes, cujas vestimentas vermelhas contrastavam com os uniformes alvos dos demais.


Momento em que, o Caboclo Mirim, percebeu que os trabalhos estavam passando ao domínio do Babalorixá visitante, que já entoava pontos e atraia a atenção de todos. Então Mririm, sutilmente, foi colocando pontos cantados com a finalidade de restabelecer o seu domínio na sessão, o que conseguiu. Sabia da enorme responsabilidade que pesava sobre si, ante o número de participantes médiuns presentes.


BENJAMIN FIGUEIREDO, médium admirável do Caboclo Mirim, que conseguia uma interação perfeita entidade-médium, por tudo que realizou na divulgação da Umbanda, pelo
exemplo edificante de amor ao próximo, receba a nossa homenagem.

Henrique Landi Neto