Moacyr, era uma pessoa simples, humilde, bom caráter e quando aconteceu o fato que narraremos a seguir, residia na Travessa Bernado, rua que fica muito próxima da sede da Fraternidade da Luz.


Quando conhecemos Moacyr, estávamos iniciando a obra da construção da Tenda e ele veio trabalhar conosco como servente de pedreiro, não recusava tarefa, brincalhão, logo tornou-se pessoa de confiança nossa e era quem recebia todo o material de construção da obra. Durante o período em que durou a construção ele esteve conosco, foi o primeiro a chegar e o último a sair.


A Fraternidade, já funcionava com suas atividades espirituais na Rua Joaquim Martins, há alguns anos e Moacyr volta e meia, aparecia para conversar (bate papo), rever as pessoas que ele conhecia, isso acontecia com certa frequência, passagem obrigatória por ali, morava logo adiante.


Mas desta vez, era diferente, vinha preocupado, acontecera algo insólito, ele queria falar com Pai Joaquim do Bonfim, pediu para consultar e logo foi atendido, narrou a seguinte história:


Nessa ocasião trabalhava em um depósito de bobinas de papel, na Rua Adolpho Bergamini, no Engenho de Dentro, e como era o seu temperamento fez várias amizades entre os
colegas de trabalho, uma das colegas iria ficar noiva e o convidou para ir a festa de noivado em sua casa, que ele falou mas não guardamos a localização. Comprou uma roupa melhorada, o presente da colega e lá se foi na data e horário aprazados. A reunião tinha bastantes participantes, era uma casa térrea oferecendo muito espaço e o pessoal se distribuia pelo quintal, corredores laterais, varanda, etc. O Moacyr, ficou em um dos corredores, e por ali passava sempre um garçon com quem logo fez camaradagem e lhe trazia uma cervejinha, cujo copo nunca secava. Nesse interim, surge uma moça que ele descreveu muito bonita e simpática. Perguntou-lhe, se poderia ficar ali, conversando, era tudo o que o "Pirito" (esse era o seu apelido), queria. Achou como ele mesmo descrevia que ela era "muita areia, para o seu caminhão", mas aquele não era o momento para discutir essa particularidade. Ela queria conversar, ele louco para arranjar uma namorada, era muito bonita a moça, ele não cabia em si de contente. O garçon trazia algo para comer e ele notou que ela nunca aceitava, apenas uma só vez deu uma "bicada" no seu copo.


A festa ia chegando ao fim, ela lhe falou que teria que ir embora. Ele se ofereceu para levá-la à casa e ela não aceitou dizendo estar em companhia de outras pessoas que a levariam. Ele insistiu, ela não aceitou. Pensou então, para não perder o contato com ela, marcar um encontro para o dia seguinte, afinal a moça lhe deu uma atenção incomum,
conversaram muito e além do mais, era muito bonita.


Então ela concordou em marcar um encontro para o dia seguinte, um domingo, em uma rua no Bairro de Irajá, às 20:00 horas. Ficou apreensivo o tempo todo que antecedeu ao
encontro e no horário aprazado dirigiu-se para lá (diga-se de passagem, que teve de se informar no local, não conhecia aquela rua), e surpresa sua, a tal rua era  frontal ao cemitério de Irajá. Moacyr, sempre foi muito corajoso, enfrentava situações difíceis, não refugava ante o perigo, e lá estava ele na rua em frente ao cemitério, aguardando a moça chegar e o tempo ia passando e nada, quando ouviu um "psiu" que vinha de dentro do cemitério, ou mais propriamente da grade de frente, normalmente outra pessoa teria saído em disparada, mas o Pirito não, foi até lá e era um vigia do cemitério, que lhe falou:

" - Estou observando o senhor a algum tempo, vá embora, aqui acontecem muitos assaltos e nós não podemos fazer nada, para não arriscar a vida das pessoas."


Moacyr, não teve outra opção, não se conformava, mas foi embora para casa muito inculcado, louco para chegar o dia seguinte (segunda-feira), iria conversar com sua colega no emprego, a moça havia lhe falado que era prima dela. Na segunda, encontrou com sua colega, narrou-lhe o que aconteceu. Ela não tinha lembrança de lá estar na festa, alguma prima com as características que ele descrevia e ainda mais, as vezes em que passou pelo Moacyr, ele estava só, não o viu em companhia de ninguém.


Então, ante a insistência dele, a colega prometeu trazer-lhe retratos de pessoas da família dela. E assim o fez, e em um deles, o Moacyr reconheceu a tal moça (realmente muito
bonita), só que essa pessoa há muito havia desencarnado, na flor da idade e noiva...explicou a prima.


Pai Joaquim do Bonfim, acalmou o Pirito, mandou que ele fizesse certos preceitos e esquecesse o ocorrido.

 

Obs.) O conhecimento deste fato na Fraternidade da Luz, só a Léa Guedes e o narrador têm, além de familiares remanescentes do Moacyr, que desencarnou há algum tempo.

Henrique Landi Neto