Funcionava a Fraternidade da Luz, em sua acanhada sede provisória na Rua Xavier dos Pássaros, na Piedade, quando ocorreu o fato que narraremos a seguir:


Maria da Glória de Paiva Porto, era o nome do médium do Caboclo da Lua. Alta, magra, mulata clara, meia idade, muito serena, caprichosamente cumpridora de suas obrigações com suas entidades-guias.


O Caboclo da Lua, à percepção dos videntes, apresentava-se mais como entidade oriental, um indiano, do que com as características do típico caboclo de penas. Falava um português mesclado, com palavras que não conhecíamos, mas se fazia entender. Sua postura era sempre muito calma. Aplicava passes sem tocar nas pessoas e visava principalmente o posicionamento dos chacras.


Seu médium submetia-se, quando com ele trabalhava, a total abstenção de qualquer tipo de carne. Não podia ingerir álcool e sua dieta era completamente vegetariana.


Certa ocasião, ele o Caboclo da Lua estava incorporado em seu médium, e estávamos iniciando uma sessão de passes, quando antes do atendimento do pessoal mandou me chamar, entregou-me um copo e pediu que lhe trouxesse água comum (potável). Fui buscar a água e lhe entreguei. Pegou no copo, colocou na palma de minha mão e pediu que cheirasse a água, assim o fiz,  e não tinha qualquer odor diferente do que exala a água potável. Em seguida, sem tocar no copo que estava na palma da minha mão, passou a mão por cima do mesmo, e mandou que eu novamente cheirasse o copo e aí a água estava perfumada intensamente com sândalo.


Pensei, quando passou a mão sobre o copo deixou cair alguma coisa, que deveria trazer escondida entre os dedos da mão e que perfumou a água.
 

Ato contínuo,a entidade lendo o meu pensamento, tornou a passar a mão sobre o copo e pediu que eu novamente cheirasse, e a água voltou ao odor inicial, sem nenhum perfume.


O Caboclo da Lua, então disse, que fez uma brincadeira comigo, por eu ser uma pessoa extremamente desconfiada.


Maria da Glória, médium do Caboclo da Lua, no plano em que estiveres, receba o meu abraço fraterno.

Henrique Landi Neto