Existe uma história muito antiga que faz parte dentre outras, das coisas marcantes que aconteceram no ILÊ OPO AFONJÁ, a mais tradicional e antiga casa de Nação da Bahia ,vamos a ela:

Tia Maria da Anunciação, filha querida de Mãe Aninha, estava completando 21 anos de Feitura (de iniciação), razão de sobra para o preparo de grande festa que iria realizar-se no Barracão (Terreiro), e para qual havia convidado muita gente do santo.

Porém, vários preparativos obrigatoriamente antecediam a festa pública, como oferecimentos aos Orixás, etc, e como Tia Maria era uma pessoa de poucos recursos, de há muito vinha fazendo suas economias com bastante sacrifício, mas estava feliz pois havia preparado uma bonita festa em homenagem aos seus orixás.

O dia semanal seria um sábado e na sexta-feira que antecedia o dia da comemoração, Tia Maria foi a feira e comprou os bichos de penas, preparando-os de acordo com os preceitos para à noite levá-los ao Barracão, pois quando o dia amanhecesse tudo deveria estar pronto para os trabalhos de oferecimentos. Quando a noite chegou, Tia Maria juntamente com seus filhos, preparou toda a bagagem colocando as aves em um cesto fechado (jacá), pois teriam que pegar um bonde (condução) que os deixaria mais ou menos próximos do ILÊ, que ficava situado a dois quilômetros do local onde saltaram. Os rapazes foram revezando as bagagens pesadas e o que levava o cesto com as aves, adiantou-se um pouco mais do grupo e ao passar pela esquina de uma rua encontrou um homem que lhe disse: Vai para o ILÊ ? Eu também vou pra lá, dê-me o cesto que eu ajudarei a carregá-lo e o deixarei próximo ao Barracão.

O rapaz entregou o cesto ao homem que rapidamente se distanciou sumindo na estrada. Próximo ao Barracão lá estavao cesto das aves, no chão, como o homem havia lhe prometido. Só que os animais estavam muito quietos e Tia Maria, ao examiná-los, com surpresa constatou: todos estavam mortos! O homem era EXÚ, que lhe pregou uma peça...

No Barracão, todos se mobilizaram para ajudar Tia Maria, a comprar novas aves.

Do livro: ILÊ OPO AFONJÁ (Descoredes M. Santos)