Quando a mão pesada da ignorância e da inveja atraiçoram os ideais nobres do homem dedicado ao bem, ela fere e mina o entusiasmo, gerando a tristeza e a sensação de isolamento depressivo. A mão da intolerância, da falta de amor e perdão; quando vertida sobre outrem, apunhala-se a si mesma, deixando cicatrizes difíceis de recuperação. Ficará ela carente de bálsamos, que chegarão tardiamente através da pedagógica e sofrida lei do retorno.

A maldade, há muito, vem ceifando da Terra aqueles que lhe querem bem, assim como feito adoecer a própria Terra, despindo-a de sua bela cobertura natural, um dia exuberante. Em nosso mundo, Deus buscou inspirar-se de maneira profunda criando diversidade de vida para que, através desta, sua pequena, porém amada criatura, o homem, pudesse reconhecer com humildade todo o SEU carinho e amor incondicional. Abundam os rios, os mares, os ventos e as aves, a terra é fértil...Quão grande é a diferença desta casa para com as outras que bailam ao redor ! No entanto, insiste o homem-réptil em rastejar-se na lama do egoísmo, este último que lhe consome o precioso tempo e cega-o das oportunidades de ascenção espiritual, postergando-as para o futuro distante.

Cada um de vós necessita preocupar-vos não com as jornadas alheias, enquanto titubeais em vossas próprias. Os olhos que observam e criticam o progresso justo e sensato dos filhos verdadeiros da Terra são como chagas faciais que recrudescem belas feições, tornando-as emblemas do mal. O mal que fere e faz doer ao homem de bem, do mesmo modo agride a Natureza que serve silenciosamente e da qual faz ele, o ser, parte íntima e complementar. Enquanto houver o mal no coração de quem apega-se ao individualismo, explora e vinga-se, a Terra não voltará a ser pura e inicente como era para os curumins e demais povos da floresta. Um dia chegará em que o branco, o amarelo e o negro saberão a dimensão real do planeta que lhes foi permitido evoluir em conjunto. Nós, índios, então, deixaremos de ser considerados criaturas primitivas e inexpressivas da criação, para ocuparmos lugar de relevante lembrança dentre aqueles poucos que, verdadeiramente, há milênios, respeitam e aprendem com a sagrada e abençoada Mãe.

Olhai portanto com mais ternura vosso semelhante ao lado, buscando compreendê-lo, assim como vosso planeta, abrigo de vossas gerações futuras.

Psicografia Caboclo Pena Branca